VIZINHOS
MOVIMENTO DE VIZINHOS DO CENTRO DE LISBOA


quinta-feira, outubro 30, 2003  

Creio que a questão mencionada aplica-se não só à Baixa como a outras zonas da cidade, e em especial às Avenidas Novas, que passou nas últimas décadas de zona residencial aprazível para principal centro do terciário em Lisboa à custa da mudança de uso das residências para escritórios. Tanto quanto julgo saber, essa mudança é pura e simplesmente ilegal e tem prosseguido à custa da conivência da CML. Portanto, é muito simples «controlar a expansão dos equipamentos terciários para fogos de utilização residencial»: basta fazer cumprir a lei. No caso específico da Baixa, julgo também que existe uma disposição camarária que obriga os senhorios a alugar os andares superiores para uso residencial.
A propósito, uma pequena notícia há dias no Público falava de um estudo feito por uma empresa de consultoria que afirmava existir um enorme excesso de oferta de escritórios no centro de Lisboa, o qual estaria a comprometer a concretização de emprendimentos para uso terciário noutras zonas mais periféricas.
Acontece que esta pescadinha de rabo na boca que é a desertificação do centro - concentração de emprego em Lisboa - expansão acelerada dos subúrbios - excesso de carros na cidade - degradação da qualidade de vida no centro - etc. só se resolve, segundo alguns urbanistas, com a autonomização dos centros urbanos na periferia da cidade (Oeiras, Sintra, Margem Sul, etc.), ou seja, se aí houver empregos que tornem possível lá viver e trabalhar. Isso até está a acontecer, ao que parece, só que pela pura lógica do mercado (é mais barato ter um escritório em Ranholas que na Baixa) e sem qualquer planeamento, com os resultados de pesadelo que já se podem ir vendo. Resumindo, parece-me que sem entidades como uma Área Metropolitana de Lisboa com poderes efectivos e uma Autoridade Metropolitana de Transportes idem aspas nada feito. Mas entretanto podemos e devemos fazer barulho.

posted by Unknown | 18:19
 

O departamento de obras da CML em 1994 encomendou um estudo sobre estratégia de actores na Baixa Pombalina. O estudo coordenado pela Isabel Guerra foi feito mas infelismente não teve qualquer sequência, a não ser a sua edição pela Celta em 1998 com o nome "A Baixa Pombalina , Diagnóstico, prospectiva e estratégia de actores.
Nesse estudo é apontado como uma das 4 questões fundamentais para uma gestão estratégica da área : " A discussão da lógica residencial na Baixa, como controlar a expansão dos equipamentos terciários para fogos de utilização residencial, visando preservar o habitat e simultâneamente a configuração plurifuncional da Baixa e uma vida social intensa, sem que isso impeça a animação do centro através da sua revitalização comercial e cultural;"
Então já se passaram estes anos todos e a discussão continua por fazer. Julgo que podemos começar. O tema poderia ser : Morar na Baixa.

posted by cristina | 16:15


terça-feira, outubro 28, 2003  

Nós também vamos sair do Chiado.

Teremos saudades da arquitectura, da vista e dos domingos de manhã, quando a música ambiente está muda, ainda não chegou a "fauna" e o Chiado brilha ao sol.

Estamos também fartos:

- dos abusos do espaço público, designadamente da festarolas constantes promovidas por toda a gente que lhe apeteça a qualquer hora do dia ou da noite
- dos "arrumadore" que nos agridem (por enquanto só verbalmente. mas a coisa está a agravar-se ...) quando nos recusamos a pagar a tal taxa para pararmos na nossa rua;
- das dezenas de pedintes (alguns mascarados de "artistas de rua") que nos assediam e também ofendem quando não contribuímos para a seringa, praticamente todos os dias, logo à saída de casa
- da polícia que nos reboca o carro se o deixamos à noite em locais onde ninguém é prejudicado mas ignora todos os atropelos da "fauna" e assiste embevecida a qualquer um que suba a R. Nova do Almada a 100 à hora e faça uma curva "à rali" para virar para a R. Garret
- de bares que abrem sem condições de insonorização e higiene, não respeitam as leis e ainda nos gozam quando queremos fazer valer os nossos direitos;
- de "iluminados" que só pensam em "animações" de rua (= barulho + lixo), provavelmente só para dar trabalho aos amigos organizadores de eventos (quantos milhares já há neste país ?)
- dos comerciantes de vistas curtas que só pensam no tal centro comercial ao ar livre e ainda não perceberam que esse não é o caminho para recuperar o Chiado. Ninguém vai lá para ir comprar a mesma coisa que compra em centros comerciais limpos, seguros, sem "fauna", com estacionamento, etc. Metam isto na cabeça uma vez por todas !!!

Etc, etc

O nosso filho nasceu no Chiado, mas não vai lá viver a infância. É pena. Pode ser que quando for adulto possa lá criar os filhos dele.

posted by Filipe | 15:27


segunda-feira, outubro 27, 2003  

Em relação à dúvida da Helena Soares sobre as saídas do túnel queria acrescentar mais uma. Li também no Público que o LNEC estava a analisar 2 hipóteses para o Túnel, postas pela CML, que consistiam em (parcialmente?) o túnel ser a céu aberto ou totalmente enterrado . Como são hipoteses com impactos ambientais bastante diversos e que fazem grande diferença, seria bom sabermos o que se passa.

posted by cristina | 09:24
 

Recebemos esta mensagem da Sandra. Pedi-lhe para publicar no blogg e então aqui vai:
Vou mudar de casa... Após oito anos de paixão pelo Chiado, chegou a hora de terminar a relação. Como em qualquer divórcio, não é sem dor que o faço, mas obrigo-me por uma consciência plena de que cheguei ao ponto de saturação!
>
> Saio pelo estado lastimoso a que chegou a nossa casa (apesar de pagar uma renda de mais de 150 contos, o estado de degradação geral da casa e do prédio é digno de registo), depois de interposto um pedido de intervenção coerciva à CML, depois de nos ter sido dada a razão mas não os meios para a fazer prevalecer...
>
> Saio pela revolta que sinto em ter de suportar concertos no Largo Camões ou na Rua Garrett ou no Largo do Chiado até à hora que for preciso e de acordar às cinco da manhã porque algum "spot" publicitário vai ser filmado e é necessário preparar o evento, ou porque muitas almas malformadas decidem a qualquer hora da noite (normalmente iniciando-se às 5ª feiras e terminando ao Domingo) acampar defronte da minha janela e terminar a festa com a aparelhagem do carro no máximo!
>
> Saio pelos arrumadores de carros que povoam este bairro, que partem sistematicamente os espelhos retrovisores do meu carro, ou defecam sobre a porta do condutor (com belo acabamento plástico) ou a pontapeiam para dentro, tudo porque me recuso a pagar uma taxa de estacionamento de cada vez que me desloco a casa, quantas vezes após 40 minutos de andar aos círculos para conseguir um local de estacionamento legal...
>
> Saio pelos meus filhos, porque não têm um espaço decente para correr ou andar de bicicleta próximo de casa, porque as escolas estão a fechar (há cada vez menos residentes, logo, menos alunos, em oposição à densidade feroz que se verifica na periferia e que não parece preocupar ninguém) e as que existem estão decadentes.
>
>
>
> É verdade que este Chiado está mais lindo do que quando para cá vim, povoado de novas lojas, nova vida, várias alternativas de estacionamento, metro, mas ainda assim não é suficiente... É necessário que seja ultrapassada a tendência de o considerar um centro comercial ao ar livre e se procure reabilitá-lo rehabitando-o, pois o que não falta são pessoas com vontade de o fazer. Para os mais persistentes, boa sorte! Eu por mim, continuarei a considerar-me Vizinha e a torcer pelas nossas conquistas!

posted by cristina | 09:15


domingo, outubro 19, 2003  

Não sei se percebi bem uma notícia do Público de sábado (capa do Local): diz que as saídas do túnel no sentido descendente são no Marquês e na Rua Castilho. Quer dizer que já não sai na Fontes Pereira de Melo? Que já não passa por baixo do Marquês? Alguém sabe alguma coisa sobre isto?
helena soares

posted by como funciona | 17:48


sábado, outubro 18, 2003  

Porque é que o Largo do Carmo está polvilhado de barracas e vasos? Pensava que o convento do Carmo era Património Nacional...

posted by Catarina | 16:21


sexta-feira, outubro 17, 2003  

Ora bem, ou melhor, mal, Alex. Somos todos contra o alcatroamento de ruas, não somos? Tem imensas desvantagens - reflectem muito mais o calor, o que se nota imenso no Verão, provocam inundações porque a água não se pode infiltrar, os carros passam a andar muito mais depressa... E então em ruas como essa, com passeios estreitos, os peões passam a estar em perigo constante.
Voltando ao meu tema favorito, o eléctrico 28 (podem chamar-me maluquinho do 28 que não me importo): ainda há dias assisti a uma daquelas situações absurdas, em São Tomé, com 6 eléctricos parados porque alguém se tinha esquecido do carro em cima da linha. Em conversa com o polícia que (por acaso) lá estava, confirmei o que temia, ou seja, obstruir o trânsito, impedir a passagem de transportes públicos, prejudicar centenas ou milhares de pessoas, causar prejuízos incalculáveis a médio prazo (o encerramento da linha) contina a custar ao energúmeno a módica quantia de 30 euros, o mesmo que deixar o carro mal estacionado mas sem prejudicar ninguém. É inconcebível, acho eu, e resolvia-se com uma simples alteração do Código da Estrada que punisse isto com uma multa pelo menos 5 vezes maior. Ou então com uma coima municipal, pode ser que seja posssível. Podíamos propor isto à CML, que acham? E aí as pessoas passavam a ter mais civismo, como nos outros países em que ou se portam bem ou a brincadeira sai-lhes muito caro. É que, por este andar, acontece o que é costume em Portugal com os transportes públicos - têm poucos utentes porque funcionam mal, e como têm poucos utentes as companhias extinguem-nos e sempre poupam uns euricos. E o 28, desculpem a insistência, é o único transporte público em todo o eixo Graça-São Bento-Estrela-Campo de Ourique, e além do mais é essencial porque liga, por exemplo, os pólos urbanos da Graça e Campo de Ourique às zonas mais periféricas. Imaginem, por exemplo, alguém com dificuldades de locomoção que mora em Alfama ou em São Bento e precisa de ir ao Chiado, a Campo de Ourique ou à Graça tratar de algum assunto. Bute fazer isso?

posted by Unknown | 13:05


quarta-feira, outubro 15, 2003  

Fiquei chocado!
Sabiam que existe uma auto-estrada naquela rua que vai da Praça da Cebolas até Santa Apolónia ( a do ISPA) ?!
Pois é, as pedras que existiam na estrada foram completamente cobertas por alcatrão... Não sei o que pensam disto, mas acho aquilo um pavor!

posted by alex | 17:50


terça-feira, outubro 07, 2003  

Olá vizinhos. Aqui vão 2 comentários: 1- quanto à questão do estacionamento, penso que devíamos estudar o assunto de modo a ter uma posição que não seja simplesmente 'nem mais 1 parque de estacionamento para Lisboa'. Será possível 1 cidade em que nem os próprios moradores têm espaço para estacionar? Penso que não, e de certeza que muitas outras cidades europeias se debate(ra)m com o mesmo problema. Tenho a ideia de que em Bruxelas, p. ex., fomentou-se a construção de muitos pequenos parques de estacionamento nos próprios edifícios da zona histórica da cidade - será 1 hipótese? Isto, claro, para além de toda a bicudíssima questão do desplaneamento urbanístico e de transportes da AML e de como remendar a coisa agora. 2- a invasão do espaço público pela publicidade tem sido de facto completamente desregrada e abusiva aqui em lx, com mupis a invadirem passeios, tapando sinais de trânsito, passadeiras, etc. Só faltava mesmo a própria CML (ou melhor, o seu presidente) usar destes meios para a sua autopromoção e com os nossos euricos. Talvez pudéssemos tomar 1 posição não só contra o que o Santana está a fazer, mas também pondo em causa, de um modo geral, o modo como a pub tem invadido o espaço público, que acham?

posted by Unknown | 18:00


quarta-feira, outubro 01, 2003  

Vizinhos dos vizinhos

Boa... há cada vez mais lisboa-blogues. Aqui estão alguns:

O Lisboa a Arder é o mais implacável obervador da actuação do nosso Nerozito. Continua todo irritado com a famosa propaganda pós-eleitoral da Câmara, e tem sugestões muito engraçadas a este respeito.

Template porreiro tem é o Diários de Lisboa, que parece partilhar muitas das posições dos Vizinhos, como a questão da poluição sonora patrocinada na Baixa. Tende a tornar-se um bocado violento (" Para já segue já uma epistolar calibre 38 mm para o Xô Pedro Pintas e para essa grande Anta, para pedir uns disquinhos a passar nos altiberrantes da Baixa.") --- mas que sei eu, lá terá as suas razões.

Bem vindo ao Pelourinho de Lisboa, que está agora a começar.

Quem também abriu esta semana um estaminé foi a Concelhia de Lisboa do PS, no Fórum Cidade, o blogue mais institucional destes todos. Figurões como Eduardo Prado Coelho, Vicente Jorge Silva e António Mega Ferreira (que, logo na estreia, escreveu um belo post com muitas perguntas ao Marquês de Pombal, coitado, sobre a Câmara).

posted by Gonçalo Praça | 00:39
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