VIZINHOS
MOVIMENTO DE VIZINHOS DO CENTRO DE LISBOA


sexta-feira, agosto 29, 2003  

Há espécie de espiral de degradação, ou seja, se as entidades responsáveis não cuidam dos jardins as pessoas também se estão nas tintas, e o "respeito" que as pessoas sentem tem a ver com isso, sendo o inverso também é verdade. Senão, como é que se explica que o jardim da Gulbenkian esteja sempre cheio de gente «respeitosa», ainda para mais numa zona da cidade tão desertificada? Ou a Estrela, que não tem tanta gente, é verdade, mais vai tendo, e não está nada degradado? E os jardins lindos, como a Tapada das Necessidades, que estão ao abandono, ou os menos lindos, como o Edu VII, que podia estar bem melhor? De quem é a culpa? Dos lisboetas não é de certeza. E se mais jardins aprazíveis houvera, mais gente lá estaria.
O argumento dos pobres selvagens que nós somos acaba por servir de alibi para não se fazer nada. A nossa distracção quanto à qualidade dos espaços construídos (e os jardins também o são) tem sido tão grande nas últimas décadas que, no imaginário colectivo, os jardins, matas e florestas passaram a cumprir essa função simbólica, de «pulmão» mas também de contraponto idílico ao horror das paisagens urbanas e suburbanas, assumido como fatalidade.
Daí o lugar comum da «betonização», como se a intervenção humana fosse sinónimo de degradação. Não é, e até pode ser ao contrário. Se não cuidarmos do mundo é que ele se degrada. E já não volta ao estado «natural», fica no limbo como um jardim invadido pelas ervas.

posted by Anónimo | 00:17


quinta-feira, agosto 28, 2003  

Sim, respiram as cidades e nós com elas.

posted by Anónimo | 23:39


quarta-feira, agosto 27, 2003  

Discordo totalmente do Filipe. Os jardins de Belém, a Estrela, o Parque das Nações, os jardins da Gulbenkian, são bastante frequentados ao fim de semana. E os centros comerciais só foram o sucesso que foram graças à incrível degradação a que Lisboa chegou nos anos 80 (talvez o Filipe se lembre). Quanto ao famigerado Eduardo VII, cá para mim aquilo nasceu torto - é difícil imaginar coisa mais desconfortável que aquela alameda central, pura cenografia fascista. Eu próprio raramente lá vou, a não ser à parte nova, em cima, que por sinal está a ser um sucesso, o que mais uma vez prova que o lisboeta não tem assim tão mau gosto. Não serve de nada autofustigarmo-nos com um pretenso baixo nível cultural, esquecendo-nos de que, se alguém tem culpa deste estado de coisas, são os responsáveis de alto nível cultural que ao longo de décadas se marimbaram para a cidade.

posted by Anónimo | 01:51


sábado, agosto 23, 2003  

Essa do Parque Eduardo VII é tenebrosa. Rádio Comercial ainda por cima. Devíamos também protestar contra isso. Suponho que tentam assim com que lá vá mais gente, quando a própria CML já lá cometeu incríveis abusos (e de legalidade muito duvidosa, como o do clube de ténis) que só afastam de lá as pessoas. Para não falar de que aquela alameda central é o exemplo acabado de arquitectura fascista e disfuncional. Por mim, fazia já um movimento a exigir que se acabasse com aquela nódoa e se fizesse um parque decente onde as pessoas pudessem ir (e exigia mesmo que se deixasse de chamar Eduardo VII - mas por que raio, alguém conhece esse gajo de algum lado?)

posted by Anónimo | 22:44


quinta-feira, agosto 21, 2003  

Em relação ao túnel, é pena que a proposta de referendo não tenha sido entregue antes das obras começarem. Confesso que nunca acreditei muito que o túnel se fizesse, pelo seguinte: há uns dois anos, num colóquio sobre urbanismo e transportes em Lisboa em que participei, um técnico da Divisão de Trânsito da CML explicou como essa obra seria absurda. Acontece que em todos os acessos a Lisboa estão colocados semáforos, programados para não deixarem passar mais que um certo número de carros, de modo a impedir o congestionamento do trânsito na cidade, e que provocam engarrafamentos nas autoestradas de acesso. A ideia é simples: os acessos podem engarrafar, mas a cidade nunca, quanto mais não seja por motivos de segurança – basta pensar o pesadelo que seria uma situação de catástrofe em Lisboa com as ambulâncias e veículos de socorro paralisados pelo tráfego. Ou seja, os engarrafamentos na autoestrada de Cascais são de facto provocados, propositadamente, pelos semáforos da J. António Aguiar. Ora, como o dito senhor explicou, com o túnel esse estrangulamento passaria para a Fontes P de Melo e Av da República, paralisando meia cidade – uma situação de todo inaceitável pelas razões já referidas. Portanto, das duas uma: ou põem um semáforo na saída do túnel e os automobilistas passam a ficar engarrafados lá dentro (até pode ser que assim desistam de vir para Lisboa de carro) ou então à entrada do túnel, e tudo ficará mais ou menos na mesma. Em todo o caso, a questão é muito simples, sempre de acordo com o mesmo técnico: pura e simplesmente não podem entrar mais carros em Lisboa, e a ideia de que a fluidez do trânsito aumentará com o desnivelamento do Marquês é pura ingenuidade motivada pela ignorância. E a obra é dinheiro deitado à rua. Acho estranho nunca ter visto referido este argumento.

posted by Anónimo | 19:10


terça-feira, agosto 19, 2003  

Estive no parque eduardo VII no fim de semana e trago novidades. Também lá está a nascer uma Lisboa mais sonora e "aconchegante" - magníficos altifalantes debitam de cima abaixo Rádio Comercial em altos berros: música, publicidade, tudo alto e bom som, para melhor usufruirmos daquele pulmão sonoro no centro da cidade.

posted by como funciona | 10:22
 

Olá. Alerta aos vizinhos que não querem que o Túnel das Amoreiras seja construído, ou seja, não querem um centro da cidade com mais trânsito, mais engarrafamentos, mais falta de lugares para estacionar, mais estaleiros para fazer novos parques de estacionamento, mais ar irrespirável, mais árvores arrancadas, e por aí fora, tudo aquilo que Lisboa já tem demais...
Está em curso a recolha de assinaturas para um REFERENDO LOCAL; já há mais de 3500, mas são necessárias 5000. O site é www.referendotunel.org e a folha assinada deve ser enviada para a morada que aparece no site. Mesmo que não recolham assinaturas, mandem a vossa até ao fim desta semana.

posted by como funciona | 10:07


segunda-feira, agosto 18, 2003  

Com todo este aparato mediático ainda nos arriscamos a que tirem mesmo os altifalantes. Não sei se acham que isto sai do nosso âmbito, mas em todo o caso estou curioso e talvez algum de vocês saiba: vejo umas demolições para ali na 24 de Julho. Julgo saber que para aquela zona (o chamado Aterro) está prevista a requalificação urbanística para habitação, desde, pelo menos, o tempo do Sampaio na CML. Parece-me importantíssimo que isso de facto aconteça - a zona tem uma localização privilegiada e Lisboa precisa desesperadamente de atrair mais habitantes (como a própria CML passa a vida a dizer). Agora, dado o preço astronómico que aqueles terrenos devem atingir, alguém acredita que os Espíritos, ou quem seja, invistam em habitação? Só se forem obrigados, claro, e em parceria ou seja o que for com a CML e/ou Estado. Nem que seja, digo eu, para tios reciclados de Cascais, ex-actores independentes estrelas da TV ou mesmo donos de bares no Bairro Alto (existe a teoria, que partilho, de que a decadência de Lisboa se deve em grande parte à fuga das elites para outras paragens). Se for para terciário, vade retro - mais vale deixarem como está e fazerem mais uns bares e discotecas. Acho estranho não se falar nisto. Nem mais um escritório para Lisboa!!! Tios de Portugal, velhos e novos, Lisboa precisa do vosso guito e influência!!!

posted by Anónimo | 16:24


sábado, agosto 09, 2003  

Pelo que vinha hoje (sábado) no Público, o nosso santana lopes está a pensar abater uma série de árvores do parque eduardo sétimo para instalar lá o estaleiro para as obras do túnel das amoreiras-marquês.
Acho que era fixe pensarmos rapidamente numa acção com o slogan
AQUI VAI NASCER UMA LISBOA MAIS FEIA

posted by como funciona | 20:53
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